
Nike vai focar-se nos canais digitais oficiais
A partir de janeiro, a Nike irá concentrar as vendas online através do seu próprio site e aplicação móvel, juntamente com as suas lojas principais oficiais na Tmall, JD.com e Douyin.
Atualmente, os consumidores chineses também podem comprar produtos Nike em milhares de lojas online operadas pelos parceiros de retalho e distribuidores secundários da empresa. Embora essa vasta rede tenha aumentado a disponibilidade dos produtos, a Nike afirma também ter criado preços e marcas inconsistentes entre os canais online.
Cathy Sparks, vice-presidente e diretora-geral da Nike para a Grande China, afirmou que as lojas principais oficiais da empresa se tornarão o principal destino para os clientes nas principais plataformas de comércio eletrónico da China.
“Trata-se de fortalecer as plataformas onde os consumidores já iniciam e terminam a sua jornada de compra, garantindo que essas experiências são diretas, consistentes e inconfundivelmente Nike.”
Acrescentou que a estratégia visa reduzir a fragmentação em vez do acesso dos consumidores.
A Consistência da Marca Tem Prioridade
A Nike afirmou que a mudança visa melhorar a forma como os clientes contactam a marca online e reforçar a disciplina de preços em todos os canais digitais.
Em vez de terminar relações com os seus parceiros de retalho existentes, a empresa planeia reduzir a sua atividade online enquanto continua a trabalhar com eles através do retalho físico. A Nike espera que muitos parceiros dêem maior ênfase às lojas físicas em vez de operar inúmeras lojas online independentes.
Esta medida surge enquanto a Nike continua os esforços para restaurar o crescimento na Grande China, onde as receitas regionais caíram cerca de 30% nos últimos cinco anos, segundo a CNBC.
Analistas alertam para riscos potenciais
Nem todos estão convencidos de que a estratégia irá entregar os resultados pretendidos.
O analista acionista da BNP Paribas, Laurent Vasilescu, comparou o plano com a decisão anterior da Nike de reduzir a distribuição grossista na América do Norte. Essa estratégia anterior foi posteriormente revertida após ter contribuído para vendas mais fracas e margens em declínio, permitindo que os concorrentes ganhassem espaço nas prateleiras.
Após relatos sobre os planos da Nike para a China no mês passado, Vasilescu manteve a classificação de desempenho inferior do BNP Paribas na empresa.
Segundo o analista, os desafios atuais da Nike estão mais ligados à sua oferta de produtos do que à sua rede de distribuidores.
Parceiros de Retalho Preparam-se para o Impacto a Curto Prazo
Espera-se também que as alterações afetem os parceiros de retalho da Nike, muitos dos quais expandiram as suas operações online nos últimos anos.
Apesar da pressão esperada a curto prazo, a Topsports, maior distribuidora da Nike na China continental, apoiou publicamente a estratégia.
O Diretor Executivo Yu Wu afirmou que a empresa acredita que as mudanças irão apoiar um ambiente de retalho mais sustentável a longo prazo. Acrescentou que a Topsports continuará a investir em retalho físico, serviço ao cliente local e novos conceitos de lojas desportivas, mantendo a sua parceria de longa data com a Nike.
O que isso significa para o comércio eletrónico
A decisão da Nike reflete o equilíbrio entre um amplo alcance no mercado e um controlo mais apertado sobre a experiência do cliente. Para as marcas que vendem através de múltiplos distribuidores, o caso destaca como preços fragmentados, apresentação inconsistente do produto e montras sobrepostas podem tornar-se preocupações estratégicas.
Permanece incerto se esta medida fortalecerá a posição da Nike na China. Os analistas já apontaram os riscos de reduzir a distribuição de forma demasiado agressiva, enquanto a Nike defende que uma presença digital mais controlada criará uma marca mais forte e uma experiência de compra mais consistente.



